sexta-feira, outubro 27, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
"Canção Singular"

Êta 'menino' arisco.
Se puder eu me arrisco.
E te pego, te embebedo.
Como bruxa no feitiço.
E te falo de um amor
Amor crú, sem maldade
Você ainda rebaterá que não...
E me dirá: é só paixão. Verdade...
Mas não... eu fecho o círculo
Em ritual celta maligno
Porque quero o você-digno
Pois me corrói este dragão.
Fagueiro, todo mineiro; olha de lado
Me devorando em letras da ilusão
Aqui te proponho uma barganha:
Eu passo a rêde e você me arranha!
E como peixe liso que me estranha
Escapas! Mas não faz mal...
Já tenho sua marca fatal!
Mais do que ligeiro
Sai nadando todo faceiro
Meu bôto seresteiro...
"Superstição"
A chuva cortava fina à frente.Eu por detrás da vidraça embaçada
Que chorava escorrendo sem rima
Olhava com dificuldade as calçadas.
Então o Sol gritou BASTA!
E o vidro repicou em frangalhos
Agora, numa visão casta ví
O quintal cheio de galhos.
Caídos?!
De súbito lembrei-me ali
Por um pingo na cabeça
Levei a mão que voltou vermelha!
E arrepiei-me em olhos no chão.
Um grito pavoroso de escárnio...
Olhei de relance
E pelo mêdo desesperado arriscou-se
Um vulto prêto do gato-prêto,
Lançando-se à minha frente pelo vento
Zunia, distanciando; de costas para mim
No pátio, as calçadas do pátio
Em pegadas, o sangue.
Pressinto... um Fim.



