"Superstição"
A chuva cortava fina à frente.Eu por detrás da vidraça embaçada
Que chorava escorrendo sem rima
Olhava com dificuldade as calçadas.
Então o Sol gritou BASTA!
E o vidro repicou em frangalhos
Agora, numa visão casta ví
O quintal cheio de galhos.
Caídos?!
De súbito lembrei-me ali
Por um pingo na cabeça
Levei a mão que voltou vermelha!
E arrepiei-me em olhos no chão.
Um grito pavoroso de escárnio...
Olhei de relance
E pelo mêdo desesperado arriscou-se
Um vulto prêto do gato-prêto,
Lançando-se à minha frente pelo vento
Zunia, distanciando; de costas para mim
No pátio, as calçadas do pátio
Em pegadas, o sangue.
Pressinto... um Fim.


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